Arquivo da tag: Marketing digital

Pense Pequeno

thinksmall3

O marketing na era digital é mesmo surpreendente.  Pequenas e singelas ações têm se revelado de grande eficácia em prol da imagem das marcas.

Algumas iniciativas simples como responder a uma carta, em alguns casos, estão repercutindo mais do que o comercial milionário ou o aplicativo engenhoso.

Recentemente a Lego recebeu uma carta de um garoto inglês de 7 anos que havia perdido um brinquedo da marca. A Lego respondeu ao menino de maneira lúdica e sensível, informando que iria presenteá-lo com o Lego perdido e alguns brindes extras. A carta pipocou pelas redes sociais – sim, uma simples carta – e ganhou destaque nos jornais do mundo inteiro. Iniciativas como essa tem um valor incalculável simplesmente porque o noticiário não está à venda.

Nos EUA, um usuário do Twitter tirou sarro dos carros da marca SMART dizendo que, de tão pequenos, um único cocô de pombo era capaz de sujar o carro inteiro. A Smart respondeu a crítica bem humorada com um infográfico comprovando que para que o Smart fosse coberto de cocô seriam necessários não um pombo, mas 4 milhões e meio (procure por “Poop Tweet”). Mais uma vez do Twitter para o noticiário.

No campo do desenvolvimento de sites e aplicativos, o conceito de micro interação tem se tornado essencial para a experiência do usuário. Dan Saffer, o designer especialista no assunto define: “Toda vez que você altera uma definição, sincroniza seus dados ou dispositivos, defini um alarme, escolhe uma senha, cria uma mensagem de status ou favorita algo, você acabou de realizar uma micro interação. A maioria dos devices de sucesso são construídos inteiramente em torno das micro interações”. Um exemplo óbvio é a Apple, que faz sucesso pelo design dos produtos mas especialmente pela grande experiência digital que promove, nos mínimos detalhes.

Empresas têm sido desafiadas a rever seus modelos de atendimento ao consumidor. Hoje, qualquer pequena crise pode se transformar em enormes problemas graças à amplificação que as redes sociais promovem. Serviços como o Reclame Aqui e o mais recente Boicota SP são a prova disso. Uma única resposta mal dada ou um atendimento mal feito pode causar grandes dores de cabeça, ao passo que uma resposta simpática, personalizada, pode ter o impacto que mil campanhas não teriam.

No aniversário de 40 anos da minha esposa eu fiz uma festa bacanérrima pra ela. Comprei um anel de brilhantes e encomendei um quadro do rosto dela com um artista badalado. Porém eu sei que o que faz a diferença em nosso relacionamento são, na verdade, as mensagens bobas que mando todos os dias pelo celular.

É assim no marketing, é assim na vida.

(Artigo publicado no portal Proxxima do Meio&Mensagem)

Troco anúncio por serviço

A Revolução Industrial, evento histórico que teve como motor e espinha dorsal a produção em série, fez surgir uma outra indústria: a publicidade moderna, que se desenvolveu com a missão de gerar diferenciação entre produtos tecnicamente parecidos, por meio da criação de atributos subjetivos para eles.

A fórmula básica desta indústria sempre foi: gastar 20% da verba para produzir a campanha e os 80% restantes na divulgação, ou seja, com mídia. Quanto mais mídia se compra, mais gente se alcança e quanto mais gente for impactada com a campanha, mais se vende.

Esse modelo, iniciado no fim do século retrasado, tem funcionado bem até hoje. A pergunta é: será que ele vai continuar funcionando? Certamente que sim, só não sei por quanto tempo. O que sei é que olho para o mundo e vejo uma estrutura totalmente diferente se formando. Vejo um mundo superfragmentado, onde os consumidores não podem mais ser divididos em públicos-alvo, mas sim em indivíduos com interesses em comum, o que gera um microuniverso infinito e heterogêneo de pessoas.

Vejo um mundo livre, onde o conceito de informação “oficial” e o horário nobre não fazem sentido para um moleque de 16 anos jogando PSP ou atualizando seu Facebook.

Olho para o mundo e vejo a opinião coletiva sobre um político, uma novela ou um produto se formar a partir de redes sociais e sem intermediação de mídia alguma.

Vejo um novo consumidor, cansado de marcas que querem entretê-lo. Vejo gente atrás de marcas que sejam úteis. Gente que quer um serviço em vez de um anúncio. Vejo “Apps” no lugar de “Ads”

E é nesse contexto que olho para o mercado e percebo algumas iniciativas que são verdadeiros jatos de ar fresco.

Cases como Nike Plus, que criou um produto, um serviço e uma rede social ao mesmo tempo. Esse case utiliza uma nova lógica na distribuição da verba de comunicação. Eles usaram toda a verba de mídia produzindo a plataforma e quase nada na divulgação (alguém viu algum comercial ou anúncio do Nike Plus?).

Vejo iniciativas simpáticas como o MizPee, serviço mobile que, via Google Maps, encontra um banheiro limpo para você, onde você estiver.

Vejo coisas simples e úteis como Pizza Tracker, da Domino’s Pizza (por que pedir na Pizza Hut se na Domino’s eu monto a minha pizza e posso “trackeá-la” do forno à minha mesa?).

Vejo coisas como Fiat EcoDrive, que agrega ao uso do carro uma mistura de serviço e experiência.

Vejo iniciativas como a da Comcast (a “Telefônica” americana), que criou um atendimento online, via Twitter – uma forma humana, rápida e informal de ajudar usuários a resolver seus problemas.

Olho para dentro de casa e fico feliz em ver coisas como o projeto Carona Chevrolet ou mesmo o projeto On The Road Again, também para Chevrolet.

Desses exemplos acima tiro três lições valiosas.

1 – Cada consumidor é um canal de mídia. 2 – As marcas devem falar, mas também ouvir. 3 – E, por último, as grandes marcas vão se destacar pela quantidade e qualidade da comunicação “útil” que oferecem aos seus clientes.

(Artigo publicado na Revista Pasta do Clube de Criação de São Paulo)