Reflexão sobre o modelo de agência: apocalipse ou recomeço?

Uma agência que presta serviço de comunicação, seja ele de publicidade, internet, BTL, eventos ou full service, tem passado por um dos momentos mais paradigmáticos de sua história recente.

Uma agência, como o nome diz, tem a função de agenciar, ou seja, receber a demanda do cliente, planejar, criar e depois administrar uma enorme gama de fornecedores, sejam eles fotógrafos, produtoras, gráficas, fornecedores de tecnologia, entre outros. Aliás, durante anos a taxa de agenciamento (comissão) foi uma das principais fontes de receita para o segmento. Entretanto, um fenômeno recente tem deixado os profissionais de agência apavorados: os clientes têm absorvido a função de agenciar, que tem ficado a cargo de seus departamentos de marketing.

Tudo começou com as mesas de compra, que são mecanismos operacionais que buscam a máxima economia, para os clientes, na contratação dos serviços. Por meio de leilões reversos (quem dá menos), essas mesas achatam o preço até patamares impraticáveis. E, convenhamos, não se pode contratar um serviço estratégico como se compra papel higiênico.

De um tempo para cá, outras práticas também vêm ocorrendo, como a contratação direta de produtoras, fotógrafos e produtoras web. Além disso, a fragmentação das mídias teve como consequência a fragmentação das verbas. E, para atender a essa nova demanda, surgiram inúmeras empresas especialistas que prestam serviço diretamente ao cliente.

De fato, o que acontece é um esvaziamento da dupla função original das agências, que é ser parceira estratégica no posicionamento das marcas de seus clientes e administrar os melhores fornecedores para executar cada tipo de trabalho.
Com as agências sendo preteridas nas funções estratégicas, tarefa absorvida pelos profissionais de marketing, e o agenciamento ficando a cargo dos departamentos de compras, o que resta para as agências tradicionais?

Temos visto megagrupos internacionais de comunicação em processo de desintegração. Temos visto grandes e famosas agências com estruturas reduzidas e sucateadas. E, ao mesmo tempo, vejo um crescente número de pequenas e enxutas agências/produtoras encontrando caminhos alternativos nesse admirável mundo novo.

Essa reflexão não tem respostas, apenas perguntas.

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Um comentário sobre “Reflexão sobre o modelo de agência: apocalipse ou recomeço?

  1. Sim as agências vão ter de se acomodar nessa situação. Não teremos mais salários tão atrativos como já foram um dia e a medio prazo, tudo se esvaziará, criando um grande e linear mercado digital onde o Google e o Twitter vão dominar e o youtube ou vimeo vão ser os suportes para de vídeo apenas como sistema repositório. Essa reflexão pode ou não ter sentido?

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